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Receita multa Cunha em R$ 100 mil por gastos superiores a rendimentos em 2010

A Receita Federal determinou pagamento de multa de cerca de R$ 100 mil pelo presidente afastado da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), devido a gastos superiores aos rendimentos declarados em 2010.

Esse valor é resultado do imposto devido de R$ 40 mil acrescido de juros e multa. A defesa do deputado entrou com um recurso contra a decisão da Receita e o processo foi enviado, no último dia 6, ao Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf), que ainda não analisou o caso.

Cunha declarou à Receita Federal patrimônio de R$ 1,7 milhão, dívidas de R$ 827 mil e rendimentos de R$ 227 mil, provenientes do salário de deputado federal.

Até o fim do processo administrativo, a multa não precisa ser paga. Além do Carf, a defesa de Cunha também pode recorrer à Justiça contra a decisão da Receita.

O advogado do deputado afastado, Leonardo Pimentel Bueno, disse que os critérios utilizados pelo Fisco para apurar a suposta insuficiência de receitas de Cunha não estão corretos. “A Receita Federal, a partir de algumas premissas, excluiu determinadas receitas, o que cria uma situação aparente de despesa maior do que receita”, disse Bueno.

O Banco Central também decidiu aplicar multa de R$ 1 milhão a Cunha e a sua mulher, Cláudia Cruz, no valor de R$ 130 mil, por eles não terem declarado contas mantidas no exterior.

(Agência Brasil)

Câmara cassa mandato do deputado Donadon

Preso há quase oito meses por desvio de recursos públicos, Natan Donadon (ex-PMDB-RO) teve seu mandato cassado na noite de ontem por ampla margem pela Câmara dos Deputados. 

O mesmo grupo de 512 deputados federais que o havia absolvido em agosto, em votação secreta, adotou postura diferente agora, na primeira vez que o Congresso analisou a perda de mandato de um congressista em votação aberta. 

Foram 467 votos pela cassação - 210 a mais do que o mínimo necessário, que é 257, e nenhum pela absolvição. Só houve uma abstenção (Asdrubal Bentes, do PMDB do Pará). Em agosto, houve 131 votos pela absolvição. 

Presente à sessão, Donadon chegou sob escolta policial trajando roupa branca - que é a vestimenta exigida no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília - e sem algemas. Após vestir terno e gravata em uma sala reservada, foi para o plenário, onde falou com os repórteres. 

Donadon entrou depois do início da sessão e se retirou antes do início da votação. Ele reclamou da votação aberta, alegando que o instrumento “constrange” os congressistas. 

“A Câmara me absolveu [em agosto], eu fico me questionando o que estou fazendo naquela prisão, eu deveria estar aqui, legislando, trabalhando”, afirmou o deputado, que se disse “injustiçado”, “bode expiatório” e “perseguido político”. “Quem é inocente não foge da raia.” 

O ex-peemedebista foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 13 anos de prisão devido a desvio de R$ 8,4 milhões da Assembleia de Rondônia por meio de contratos de publicidade fraudulentos. Ele torna-se agora o 18º deputado a ser cassado pelo plenário da Câmara desde a Constituição de 1988. 

Outro placar
No final de agosto, quando os parlamentares estavam protegidos pelo sigilo do voto, o primeiro deputado-presidiário da recente história democrática escapou da cassação já que só 233 colegas votaram pela perda do mandato - 24 a menos do que o mínimo necessário. 

Outros 131 votaram pela absolvição, enquanto 41 apertaram o botão da abstenção. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), porém, acabou suspendendo Donadon e convocando o suplente sob o argumento de que o ex-peemedebista estava impossibilitado de exercer o mandato. 

Ontem, Donadon circulou rapidamente pelo plenário, sentou em uma das cadeiras e foi cumprimentado por poucos colegas, entre eles Candido Vaccarezza (PT-SP) e Wladimir Costa (PMDB-PA). 

Donadon chegou até a prometer uma “entrevista coletiva” aos repórteres, momentos antes de ser conduzido pela polícia de volta ao presídio. Ele não discursou, nem acompanhou o resultado da votação. Apenas pode acompanhar a fala de seu advogado. 

Fonte: O POVO